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Comparado a outros mercados, podemos dizer que a indústria que atende o segmento de saúde ainda utiliza pouco a tecnologia para aumentar sua eficácia operacional. A maioria dos sistemas ligados a saúde ainda usa papel nos registros médicos. Por outro lado, a maior parte da informação que é digitalizada não é portável, inibindo a troca de dados e informações entre os diversos agentes que operam o setor. O uso da tecnologia para facilitar colaboração e coordenar esforços de saúde entre os agentes (pacientes e médicos) é pequeno e bastante limitado. [1]

Isso não impede que a tecnologia de informação voltada à saúde (HIT – helthcare information technology) esteja sendo modernizada e que a computação em nuvem esteja no centro dessa transformação. A grande mudança é o abandono de um modelo de informação absolutamente centralizado (em sistemas que não se conversam e não compartilham dados) para modelos abertos, baseados em padrões (que estão sendo estabelecidos) que permitem cooperação, fluxos de trabalho colaborativos e compartilhamento das informações.

A computação em nuvem está gerando infraestruturas de suporte que permitem integração entre hospitais, médicos, enfermeiros, empresas de seguro, laboratórios de análise e de pesquisa, etc. sem que haja necessidade de grandes investimentos de capital. Adicionalmente, a nuvem está diminuindo as barreiras para que aplicações e sistemas de saúde sejam modernizados e até inovados. Assim a computação em nuvem está oferecendo serviços que são chave no setor de saúde:

  • Acesso sob demanda a computadores e dispositivos de armazenamento que não são disponibilizados nos ambientes de TI tradicionais;
  • Suporte para armazenagem de Big Data, vindo de gravadores e registradores de saúde eletrônicos, imagens de radiologia, análises de dados genômicos – que são tarefas pesadas especialmente para a área de TI de hospitais
  • Facilidade para compartilhar o uso de registradores (EHRs, health records) entre médicos e hospitais, em diversas áreas geográficas, permitindo acesso mais rápido a informações que podem salvar vidas e reduzindo a necessidade de repetir testes já efetuados em outros locais;
  • Melhoria da capacidade de analisar e acompanhar as informações (com a adequada governança) dos dados sobre tratamentos, custos envolvidos, desempenho, efetividades de tratamento, facilitando análises e decisões em função do sucesso e do custo.

Mais do que fazer o mundo da saúde ficar conectado, a nuvem torna mais fácil disponibilizar as informações do paciente onde quer que esteja.

Um dos maiores problemas para avançar rapidamente é que os dados ligados à saúde têm exigências rigorosas que passam por segurança, confidencialidade, disponibilização dos dados para determinados usuários, rastreabilidade do acesso, reversibilidade dos dados e preservação de longo prazo. Os provedores de nuvem têm que levar em conta esse conjunto de fatores que variam conforme leis governamentais e padrões industriais adotados em cada país. Isso tem feito os sistemas de TI de saúde não serem interoperáveis e está atrasando o crescimento da computação em nuvem no setor.

Os USA estão trabalhando seriamente nesta questão. As legislações federal e dos estados estão sendo alteradas com relação a “troca de informações sobre saúde” (HIES, Health Information Exchanges), viabilizando hubs que interconectam informações de diferentes equipamentos de registros de dados médicos (EMR – Electronic Medical Record) para assegurar o acesso de dados dos pacientes, quaisquer que sejam. A nuvem é a depositária ideal para esses dados.

Nesse movimento de ida para a nuvem, os atores da área de saúde (praticantes de medicina, hospitais, laboratórios de análise e pesquisa etc.) tem ofertas clínicas e não clínicas. As clínicas consistem dos monitores EHRs, entrada de dados de prescrições médicas, softwares de imagens e uso de remédios (dados de farmácias). As não clínicas consistem do gerenciamento do ciclo de receitas, cobrança automática dos pacientes, contabilidade de custos, folhas de pagamento e gerenciamento administrativo. Nos Usa, uma grande parcela dos hospitais já está armazenando dados, incluindo aplicações e em e-mail, na nuvem.Benefícios da Computação em Nuvem na área de saúde

O que vem por aí, lá fora tem o nome de “Patient Centricity”, literalmente “centralidade no paciente”. Não importando o equipamento gerador dos dados, nem sua geografia, eles estariam disponíveis de alguma forma. Isso permitirá melhorar os serviços para qualquer paciente.

Melhores serviços para os pacientes: com dados da vida pregressa facilmente disponíveis e compartilháveis, será possível atender melhor e com custos menores novas situações, pois o “passado” será facilmente recuperável com custos irrisórios, muito menores que a confecção de novos (e repetidos) exames para diagnósticos que já foram feitos no passado.

Serviços personalizados em qualquer lugar do mundo: não importa onde você está, seu histórico médico poderá ser acessado onde quer que você esteja, de forma segura. Históricos médicos, prescrições recebidas, imagens de exames, exames de sangue, reações alérgicas – não importa. Desde que você autorize, como paciente, o acesso aos seus dados será livre e total (para hospitais, médicos, enfermeiras, paramédicos, farmacêuticos e outros profissionais). Isso inclui também dados de imagens escaneadas (radiografias, tomografias, etc.). Além disso, você contará com aplicativos em celular que terão acesso aos seus dados, permitindo que você responda sobre o seu passado, não com base na sua memória e sim com base nos registros médicos, com datas, dados e fatos.

Conforto de atendimento, a custos menores: nos países desenvolvidos, 80% dos custos de saúde estão associados a doenças crônicas – e não a crises agudas. De alguma forma os provedores estarão aptos a contar com dispositivos que, usando a nuvem como depositária, permitirão a monitoração contínua de casos crônicos (como hipertensão) que, usando sistemas “Analytics” para predição, ajudarão a remotamente monitorar os pacientes, com custo muito baixo. As roupas “espertas” e dispositivos de monitoração estarão integradas a esses sistemas em “cloud computing”, tendo a capacidade de sugerir “tratamentos” de uma forma contínua sempre que necessária – antecipando problemas que poderiam se tornar agudos. A quantidade de exames em laboratórios também diminuirá, na medida em que dispositivos caseiros estarão aptos a fornecer resultados de exame de sangue, saliva e outros, ajudando nas monitorações remotas.

Consultas remotas: pacientes não precisarão mais sair de suas casas para se consultarem com seus médicos. Poderão ser realizadas consultas virtuais, devidamente registradas na nuvem, que estarão disponíveis para o paciente e para pessoas por ele autorizadas, como farmacêuticos. A prescrição de medicamentos do médico poderá ser compartilhada com os farmacêuticos, liberando a estes o fornecimento dos medicamentos prescritos.

Estes são alguns dos benefícios básicos. O fundamental é pensar que em breve haverá muitas transformações – e o seu negócio poderá ser afetados por elas.[2]

[1] Impact of Cloud Computing on Healthcare – Cloud Standards Customers Council – http://www.cloud-council.org/cscchealthcare110512.pdf   

[2] Accenture: A new era for the healthcare industry : Cloud Computing changes the game – http://www.accenture.com/sitecollectiondocuments/pdf/accenture-new-era-healthcare-industry-cloud-computing-changes-game.pdf

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Computação em Nuvem para Gestores e Empreendedores

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